Seleção de moduladores alostéricos negativos do mGluR5 no tratamento da dependência de crack: um estudo pré-clínico

Resumo: Estudos vêm demonstrando um aumento significativo no uso de drogas psicoativas, com destaque para maconha, cocaína, alucinógenos e, principalmente, o crack, o qual representa um sério problema para a sociedade e para o governo. O Brasil representa 20% do consumo mundial de cocaína/crack e é considerado o maior mercado de crack do mundo. O crack, apesar de ser sintetizado a partir da cocaína, apresenta um composto exclusivo da pirólise da droga, o anidroecgonina metil éster (AEME), o qual parece estar associado a vários dos efeitos promovidos principalmente pelo crack e não somente pela cocaína (Garcia et al., 2012). A cocaína, assim como outros psicoestimulantes, afetam a neurotransmissão dopaminérgica do sistema mesolímbico. Entretanto, há outros sistemas neurotransmissores também associados com o desenvolvimento da adição. Dentre eles, destaca-se o sistema glutamatérgico em que a ativação glutamatérgica na área mesencefálica aumenta a liberação de dopamina no núcleo accumbens. Adicionalmente, a neurotransmissão glutamatérgica parece ser importante em processos de adição independentemente da dopamina, uma vez que camundongos knockout para o receptor metabotrópico de glutamato 5 (mGluR5) não se auto administram cocaína e não exibem hiperlocomoção induzida pela droga, apesar de apresentarem níveis normais de dopamina no núcleo accumbens (Chiamulera et al., 2001). Em vista disso, o principal objetivo desse projeto é determinar se moduladores alostéricos (MANs) do mGluR5 são capazes de reverter os efeitos comportamentais e moleculares de animais injetados com o produto da pirólise da cocaína (AEME). Nosso grupo de pesquisa já caracterizou um modelo de inalação de crack em camundongos (Areal et al., 2015, 2017). Este modelo se mostrou compatível ao comportamento apresentado por usuários dessa droga e por apresentar altas concentrações de AEME no sangue dos animais. Além disso, observou-se alterações moleculares não observadas no vício à cocaína, sugerindo que o comportamento mais agressivo e tipo-esquizofrênio observado em usuários de crack, pode ser devido à presença do AEME. Dessa forma, utilizaremos o AEME para o estudo da função do mGluR5 na adição ao crack e para a triagem de drogas potenciais para tratar a adição a essa droga de abuso.

Data de início: 2017-12-01
Prazo (meses): 48

Participantes:

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Coordenador Rita Gomes Wanderley Pires
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