Variantes no gene EBF3 e variabilidade fenotípica do transtorno do espectro autista
Nome: MAYLA CRISTINE FORTUNATA SILVA
Data de publicação: 26/02/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| FLAVIA DE PAULA | Examinador Interno |
| FLAVIA IMBROISI VALLE ERRERA | Presidente |
| MARIA RITA DOS SANTOS E PASSOS-BUENO | Coorientador |
| MARLA MENDES DE AQUINO | Examinador Externo |
Resumo: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento (NDD) comum, caracterizado por comprometimento na comunicação e interação social. O TEA é multifatorial, apresenta alta herdabilidade (~ 90%) e arquitetura genética complexa, sendo causado por uma interação entre fatores genéticos e ambientais. Pode se manifestar isoladamente ou fazer parte de uma síndrome, como a Síndrome de HADDS (hipotonia, ataxia, déficit intelectual e atraso global do desenvolvimento), causada por variantes em heterozigose no gene EBF3. Contudo, a relação entre TEA e variantes em EBF3 é pouco conhecida. Assim, o objetivo principal deste trabalho é ampliar a correlação genótipo-fenótipo para variantes em EBF3 e NDD, com ênfase no TEA. Neste trabalho, são apresentados dados da análise de variantes patogênicas (P) ou provavelmente patogênicas (LP) em EBF3 em casuísticas brasileira e internacional (MSSNG, SPARK e SSC), bem como um estudo da literatura da última década. Foram reportadas três famílias brasileiras com cinco indivíduos com TEA, 28 indivíduos de coortes internacionais, sendo 24 com TEA, bem como 114 indivíduos da literatura mundial, sendo 15 com TEA. No total, 26 variantes (P/LP) foram identificadas em 40 indivíduos com TEA nas três casuísticas. Na casuística brasileira, duas variantes foram identificadas em seis indivíduos, das quais uma nonsense no domínio DBD e a outra frameshift no domínio C-terminal. Na casuística internacional, 16 variantes P/LP foram identificadas (37,5% missense, 37,5% frameshift, 12,5% splicing, 6,25% nonsense e 6,25% CNV). O estudo da literatura incluiu 19 artigos, que reportaram um total de 80 variantes em 114 indivíduos com Síndrome de HADDS. Destas variantes, 14 foram observadas em 15 indivíduos com TEA (50% missense, 14,3% CNVs, 14,3% frameshift, 14,3% splicing, 7% nonsense). A maioria das variantes do tipo missense em indivíduos com TEA estão localizadas no domínio DBD. Os indivíduos com TEA nas casuísticas e nos relatos da literatura apresentaram principalmente atraso motor, atraso da fala e comprometimento cognitivo, com proporção importante de indivíduos com deficiência intelectual. Este trabalho apresenta análise da maior série de casos de HADDS com e sem TEA, adiciona novos casos de TEA e contribui para a expansão do fenótipo observado em indivíduos com variantes em EBF3 e TEA.
