Efeitos da ciclagem de peso e do consumo de dieta hiperpalatável sobre parâmetros comportamentais e bioquímicos em camundongos C57BL/6J: uma investigação sobre o dimorfismo sexual

Nome: MAGNO SILVA GOMES

Data de publicação: 15/04/2026

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
ANDRE WILLIAN HOLLAIS Examinador Interno
CRISTINA MARTINS E SILVA Presidente
NATALIA LAUTHERBACH ENNES DA SILVA Examinador Externo
RENATO GRACIANO DE PAULA Coorientador

Resumo: A ciclagem de peso (CP) e o consumo de alimentos hiperpalatáveis representam desafios à saúde pública, porém a influência do dimorfismo sexual nas respostas fisiológicas, comportamentais e moleculares ainda demanda elucidação. Este estudo teve como objetivo avaliar os impactos metabólicos, comportamentais e moleculares da CP e da oferta de dieta hiperpalatável em camundongos C57BL/6J de ambos os sexos, iniciados com 8 semanas de idade. Durante seis semanas, os animais foram submetidos a três protocolos: dieta hipercalórica contínua (DHC), ciclagem de peso com recarga hipercalórica (CP1) e ciclagem de peso com reintrodução de dieta padrão (CP2). Os resultados demonstraram que o modelo de ciclagem induziu oscilações de massa corporal significativas (> 5%) em ambos os sentidos (perda e ganho), embora a massa corporal final e a eficiência alimentar (calculada pelo ganho de massa corporal por caloria consumida) tenham permanecido similares ao controle em machos e fêmeas ao término do protocolo experimental. A intermitência alimentar (CP1) potencializou a ingestão hedônica nas fêmeas de forma mais acentuada que o acesso contínuo, embora este também tenha induzido aumento progressivo no consumo. No âmbito metabólico, fêmeas do grupo DHC desenvolveram elevação do colesterol total. A análise comportamental revelou que a ciclagem associada à recarga hipercalórica (CP1) induziu fenótipo ansiogênico nas fêmeas no teste do Labirinto em Cruz Elevado, sem alterações no comportamento do tipo compulsivo no teste de enterramento de esferas. Não foi possível associar os protocolos dietéticos com oscilações do ciclo estral, sugerindo que os efeitos observados derivam majoritariamente das intervenções dietéticas. Molecularmente, a análise da expressão gênica hipotalâmica revelou modulações sexo-específicas. Nas fêmeas, a exposição contínua à dieta hipercalórica contínua (DHC) induziu aumento na expressão do receptor canabinoide tipo 1 (CB1R) (~ 2x) e do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1R) (~ 2,7x) em relação ao grupo CP1, sinalizando amplificação da motivação hedônica concomitante a uma resposta compensatória homeostática, respectivamente. Nos machos, foram detectados aumentos significativos para os três receptores avaliados (CB1R, GLP-1R e LEPR), sem que as comparações entre grupos isolados atingissem significância estatística, sugerindo menor modulação transcricional hipotalâmica. Já a expressão do LEPR não foi alterada nem pelo protocolo dietético e nem pelo sexo no período avaliado. Conclui-se que a ciclagem de peso e o consumo de dieta hiperpalatável promovem efeitos dimórficos, nos quais as fêmeas apresentam vulnerabilidade superior a desordens metabólicas e ao comportamento do tipo ansioso em comparação aos machos. Em suma, a identificação de respostas dimórficas a alterações dietéticas contribui para o aprimoramento de diretrizes clínicas, evidenciando a necessidade de protocolos diferenciados, baseados no controle da ingestão hedônica e na mitigação dos impactos da ciclagem de massa corporal em fêmeas, para o tratamento de desordens metabólicas em mulheres e homens.

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