A exposição crônica ao mercúrio agrava os efeitos do infarto agudo do miocárdio em ratos

Nome: Kéren Alves de Souza Bello
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 01/07/2022
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Aurélia Araújo Fernandes Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Aurélia Araújo Fernandes Orientador
Dalton Valentim Vassallo Coorientador
Fabiana Vasconcelos Campos Examinador Interno
Paulina Langa Examinador Externo

Resumo: Introdução: A contaminação ambiental tem exposto os seres humanos a agentes metálicos, incluindo o mercúrio (Hg). Estudos sugerem que a exposição crônica ao Hg pode afetar o sistema cardiovascular. O presente estudo avaliou se a exposição crônica ao Hg pode aumentar a mortalidade por arritmias em ratos submetidos a Infarto do Miocárdio (IM). Ratos machos (12 semanas de idade) foram divididos em quatro grupos: SHAM + Salina, SHAM + Hg, IM + Salina e IM + Hg. Os animais receberam injeções i.m de HgCl2 (1ª dose contendo 4,6&#956;g/kg e dose subsequente contendo 0,07&#956;g/kg/dia para cobrir a perda diária) ou veículo (Salina) por três semanas. Ao final da terceira semana, os animais foram submetidos à cirurgia de infarto através da ligadura da artéria coronária esquerda descendente anterior. Os animais SHAM foram submetidos ao mesmo procedimento, exceto para ligadura coronariana. Os registros eletrocardiográficos (ECG) foram realizados 5 minutos antes e 20 minutos após as cirurgias. O número de extrassístoles ventriculares (EV); duração da taquicardia ventricular (TV) e bloqueios atrioventriculares (BAV) foram analisados. Uma semana após o IM, as medidas hemodinâmicas foram realizadas e os dados ponderais foram analisados. Além disso, os níveis das espécies reativas de oxigênio (ROS), ânion superóxido (O2-) e óxido nítrico (NO) no músculo cardíaco dos animais foram realizados através de análises de fluorescência utilizando Dihidroetídio (DHE) e Diaminofluoresceína (DAF), respectivamente. O protocolo foi aprovado pelo CEUA (20/2018 e 24/2020). O tamanho da cicatriz não foi diferente entre os grupos IM. A taxa de mortalidade em IM + Hg foi de 31,82% enquanto IM + Salina foi de 21,43%. Os registros de ECG mostraram um aumento no BAV nos grupos MI (min: SHAM + Salina = 0,00 ± 0,00%; SHAM + Hg = 0,81 ± 0,67%; IM + Salina = 4,35 ± 0,96%*#; IM + Hg = 3,64 ± 0,88% *#; *p <0,05 vs SHAM + Salina, #p <0,05 vs SHAM + Hg). O coeficiente de Basckó mostrou que as arritmias após IM foram agravadas pela exposição ao Hg (SHAM + Salina = 0,24 ± 0,19; SHAM + Hg = 0,75 ± 0,35; IM + Sal = 2,97 ± 0,30*#; IM + Hg = 4,00 ± 0,21*#+; *p <0,05 vs SHAM + Salina, #p <0,05 vs SHAM + Hg, +p <0,05 vs IM + Salina). Além disso, houve forte correlação entre mortalidade e BAV (r=0,7379), EV (r=0,9487), TV (r=0,9487) e coeficiente de Basckó (r=0,9487). O grupo SHAM + Hg apresentou aumento da pressão arterial sistólica, porém esses valores foram diminuídos nos grupos IM (mmHg: SHAM + Sal =105 ± 2,98; SHAM + Hg= 115 ± 3,71*; IM + Salina = 95,47 ± 3,58*#; IM + Hg = 90,01 ± 2,96*#; *p <0,05 vs SHAM + Salina, #p <0,05 vs SHAM + Hg). A pressão diastólica final do ventrículo esquerdo foi aumentada no grupo IM + Salina (SHAM + Salina = 7,31 ± 1,25; SHAM + Hg = 5,38 ± 1,44; IM + Salina =15,95 ± 2,84*#; IM + Hg =9,56 ± 1,38+; *p <0,05 vs SHAM + Salina, #p <0,05 vs SHAM + Hg, +p <0,05 vs IM + Salina). Os valores de dP/dt+ e dP/dt- diminuíram nos grupos IM (dP/dt+ em mmHg: SHAM + Salina = 5515 ± 543; SHAM + Hg = 5779 ± 728; IM + Salina = 3623 ± 315 *#; IM + Hg = 2782 ± 322*#; dP/dt- em mmHg: SHAM + Salina = -3500 ± 403; SHAM + Hg = -3180 ± 354; IM + Salina = -2248 ± 122*#; IM + Hg = -1833 ± 125*#; *p <0,05 vs SHAM + Salina, #p <0,05 vs SHAM + Hg). A razão do peso do coração pelo peso corporal aumentaram nos grupos IM (SHAM + Salina = 2,82 ± 0,04; SHAM + Hg = 2,87 ± 0,12; IM + Salina = 3,83 ± 0,26*#; IM + Hg =3,73 ± 0,22*#; *p <0,05 vs SHAM + Salina, #p <0,05 vs SHAM + Hg), bem como a razão do peso pulmonar pelo peso corporal (SHAM + Salina = 5,11 ± 0,19; SHAM + Hg = 4,69 ± 0,17; IM + Salina = 8,97 ± 0,79*#; IM + Hg = 7,50 ± 0,67*#+; *p <0 ,05 vs SHAM +Salina, #p <0,05 vs SHAM + Hg, +p <0,05 vs IM + Salina). Os níveis de ROS foram maiores nos grupos que se associaram a exposição ao Hg e o IM (O2- em u.a: SHAM + Salina = 1,79 ±1,79; SHAM + Hg = 58,88 ± 6,01; IM + Salina = 171 ± 7,26*#; IM + Hg = 221 ±12,14*#; NO em u.a: SHAM + Salina = 57,27 ± 8,05; SHAM + Hg = 106 ± 10,97; IM + Salina = 207 ± 8,87*#; IM + Hg = 246 ± 4,54*#+; *p <0,05 vs SHAM + Salina, #p <0,05 vs SHAM + Hg, +p <0,05 vs IM + Salina). A intoxicação por mercúrio causou mais arritmias em animais infartados, o que levou a um aumento na mortalidade. Também foi observado um aumento de ERO e alteração dos parâmetros pressóricos. Esses resultados sugerem que a exposição ao mercúrio piora dos eventos cardíacos desencadeados pelo IM.

Palavras-chave: infarto do miocárdio; mercúrio; arritmia; eletrocardiograma, ERO.

Acesso ao documento

Acesso à informação
Transparência Pública

© 2013 Universidade Federal do Espírito Santo. Todos os direitos reservados.
Av. Marechal Campos, 1468 - Bonfim, Vitória - ES | CEP 29047-105