O potencial efeito do ácido rosmarínico na prevenção e tratamento da dependência química de cocaína em camundongos: um estudo comportamental e molecular

Nome: Taynara Gabriele Campos
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 17/02/2022
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Rita Gomes Wanderley Pires Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Alice Laschuk Herlinger Coorientador
Juliana Barbosa Coitinho Goncalves Examinador Interno
Mariana Ferreira Pereira de Araujo Examinador Externo
Rita Gomes Wanderley Pires Orientador

Resumo: A cocaína é uma droga ilegal que se apresenta como um grave problema social e de saúde pública. A ação da cocaína se dá por meio do bloqueio dos transportadores dopaminérgicos (DATs) que são responsáveis pela recaptação da dopamina (DA) liberada na fenda sináptica. Com sua atividade inibida, a DA se acumula na fenda aumentando a sinalização dopaminérgica no sistema nervoso central (SNC). No SNC, os neurônios dopaminérgicos se localizam na Área Tegmental Ventral (VTA), projetando-se para o Núcleo Accumbens (NAc) e o Córtex pré-frontal (CPF), compondo a via mesolímbica. Essa via é responsável pela codificação cerebral de processos de avaliação de recompensa, comportamento e tomada de decisão. A constante evocação dessa via provoca modulações no SNC que causam os estágios de dependência e fissura. Hoje não há um tratamento eficaz para a dependência da cocaína. Em casos de dependência, a única ação é a abstinência. Com isso, há a necessidade do estudo de novos fármacos para esse fim, uma vez que a abstinência reúne uma série de efeitos colaterais como vômitos, febre e depressão. O ácido rosmarínico (AR), um composto derivado de temperos como alecrim, sálvia, manjericão entre outros; tem apresentado um papel fundamental como antioxidante, anti-inflamatório e neuroprotetor. Dessa forma, o presente estudo objetivou atrelar as ações já observadas no AR como proposta de um fármaco para a dependência química de cocaína. Utilizamos um modelo animal com camundongos C57BL/6 machos que receberam cocaína durante cinco dias. Após a etapa de indução à dependência da droga, os animais foram deixados cinco dias em abstinência e um modelo de recaída foi feito a partir da reexposição à droga. O potencial farmacêutico do AR foi analisado em três diferentes contextos: um pré-tratamento, um tratamento constante e um tratamento apenas durante a abstinência. Foram analisados os efeitos comportamentais a partir do teste de campo aberto e o âmbito bioquímico com avaliação da expressão gênica dos marcadores de adição (CREB, BDNF e △FosB) na região do CPF por qRT-PCR. Foi identificado uma atenuação no aumento da atividade locomotora em todos os grupos tratados com o AR. Um efeito positivo em relação à primeira exposição foi visto nos grupos pré-tratados. Porém, o AR demonstrou um efeito temporário visto pelo comportamento do grupo que recebeu o composto apenas no pré-tratamento quando relacionado ao grupo controle. Quanto à reexposição, o grupo tratado continuamente demonstrou uma atividade locomotora menor em relação aos demais, mostrando uma resistência à droga em um cenário de recaída. O perfil bioquímico não mostrou alteração na expressão de CREB. Foi identificado um perfil diferencial nos animais tratados com AR durante a abstinência com os efeitos da cocaína no dia do desafio, mostrando um aumento na expressão de △FosB e BDNF nesses grupos. O AR se mostrou com um bom potencial para ser utilizado como fármaco para a dependência química em cocaína, porém os estudos moleculares devem ser ainda melhor explorados e, adicionalmente, o AR deve ser testado no âmbito de protocolos que utilizam a procura voluntária pela droga.

Palavras-chave: cocaína, AR, córtex pré-frontal, sistema dopaminérgico, atividade locomotora, marcadores de adição.

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